Além do bem e do mal



Autor Paulo Tavares de Souza
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 4/3/2025 7:38:09 AM
Sócrates afirmava que existe apenas um bem, o conhecimento, e um mal, a ignorância. Eu, porém, gostaria de explorar melhor essa questão do bem e do mal.
Se o mal é a ignorância - e essa é uma ideia razoável -, então podemos questionar se o mal realmente existe, já que a ignorância é, em si, uma ausência: a falta de conhecimento. Aquilo que é ausente não pode ser substancial; portanto, se o mal é apenas a carência de algo (o conhecimento), como poderia ser uma entidade real?
Para que o mal existisse de fato, seria necessário identificar uma fonte concreta da qual ele emanasse. No entanto, se o mal é apenas a falta de bem (ou de conhecimento), essa fonte não existe. Restam, então, duas possibilidades: ou o mal é uma ilusão, uma mera negação, ou a definição socrática está incompleta ou equivocada.
Prefiro a definição de Rumi, o poeta persa: "Para além das ideias de certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá". Rumi transcendeu esse conflito ao tratar certo e errado, bem e mal, como meras construções mentais. Ele apontou para um espaço além desses conceitos - a Realidade pura, onde as dualidades se dissolvem na Consciência.
Sócrates tentou resolver tudo pela razão, mas a razão, sendo cartesiana e fragmentadora, não consegue abraçar a realidade de modo integral. Ela depende de conceitos, divisões e definições, enquanto a verdadeira compreensão pode exigir um salto para além do intelectual.
Vejamos o exemplo da matemática: nela, existem números negativos, como o "-2". Assim como há o número "2", há o seu oposto. No entanto, enquanto posso te dar duas maçãs, é impossível te dar "menos duas maçãs". O negativo, nesse caso, não tem existência concreta - ele apenas sinaliza uma ausência, uma subtração.
Da mesma forma, podemos entender o mal: ele não é uma força em si, mas sim a ausência de Consciência. Aqueles que agem com maldade não são intrinsecamente "maus" - eles simplesmente agem de acordo com o grau de entendimento que possuem. Sob sua própria perspectiva, acreditam estar fazendo o mais correto, pois não conhecem outra forma de agir.
É fato que nossa mente foi programada sob uma perspectiva dualista e, principalmente, maniqueísta. Desde sempre, fomos estimulados a nos posicionar em uma trincheira oposta ao "mal", e o resultado é que a própria experiência de viver se transformou em sinônimo de luta. Nossos semelhantes foram convertidos em adversários, e assim passamos a criar preconceitos, a julgar e, em suma, a transformar uma jornada que poderia ser enriquecedora em um campo de batalha.
Acreditamos que somente através do desenvolvimento da nossa capacidade de amar poderemos avançar nessa compreensão. O amor possui instrumentos intrínsecos que equalizam as relações humanas. Quem ama não julga, mas compreende; quem ama não se opõe, mas auxilia. Em essência, quem ama desconhece a natureza do "mal", da mesma forma que o sol ignora a escuridão.
Texto Revisado









Conteúdo desenvolvido pelo Autor Paulo Tavares de Souza Conheça meu artigos: Terapeuta Holístico, Palestrante, Psicapômetra, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define. Eu sou o que Eu sou! Whatsupp (só para mensagens): 11-94074-1972 E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |