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Independência (uma das propriedades do amor)

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Autor Daniel Ferreira Gambera

Assunto Autoconhecimento
Atualizado em 3/14/2006 1:01:40 AM


Depois de muito tempo sem conseguir compreender minimamente o que fosse o amor, creio que estou começando a ter uma vaga noção. Espanto-me ao perceber que, em minha vida, ele se mostra de forma muito diferente do que estava acostumado a pensar que fosse. Uma das propriedades que, agora, estou percebendo no amor e que nunca havia associado a ele é a independência. Sim... A independência.

Anteriormente, via como formas do amor, duas atitudes antagônicas. Uma: a da tradição das religiões, conforme eu a entendia. Envolvia uma espécie de negação dos desejos, um tipo de automutilação, em que deixávamos de seguir nossos desejos para nos dedicarmos a um ideal maior do que nós mesmos. Outra: a da tradição dos romances, em que a esperança do amor se concretizaria somente se o ser amado correspondesse aos nossos desejos.

Agora estou achando que tanto uma como outra forma apenas demonstram a falta de amor...
Talvez eu esteja enganado ou aquilo sobre o que estarei falando não seja o amor mas, vamos supor inicialmente, que seja. Não é muito fácil colocar essa compreensão em palavras, pois a lógica do amor é um pouco estranha para mim que estou acostumado com outro tipo de pensar.

Aparentemente, o amor é totalmente inclusivo. Ele inclui tudo e todos. Ele aceita toda e qualquer circunstância. Nossos instintos, por outro lado, nos dizem que algumas coisas não devemos aceitar e a lógica do amor nos diria que tanto essas coisas quanto a nossa resistência a elas estão cobertas e aceitas pelo amor. Pronto! Já está feito o nó!

Ao não aceitarmos determinadas coisas, acabamos caindo em uma lógica de separação em que, ao final, acabamos por nos separar de tudo e de todos. Ao tentarmos aceitar tudo e todos, acabamos caindo na complacência e no comodismo... Como aceitar uma situação que eu sei que é imperfeita? Como aceitar uma fraqueza e não tentar modificá-la? Não estarei, assim, me acomodando a ela? Como uma metáfora, eu diria que o amor é a confiança no enredo do filme que nos mostrará mais adiante porque um personagem fez ou disse algo que parecia sem sentido numa dada cena. A aparente falta de sentido está na nossa imperfeição momentânea, nas nossas circunstâncias menos felizes. Mas, o amor não se abala com elas, pois sabe que faz parte da trama algumas coisas permanecerem escondidas, revelando-se somente no momento apropriado.

Assim, amar seria não sair no meio do filme quando o protagonista sofreu o seu maior revés. Seria ser capaz de chorar com o sofrimento, mas continuar sabendo que há muito mais a ser desvendado ainda e manter a fita em movimento. Não importa a circunstância, o amor não se abala. Ele se mantém firme, atento, realista e flexível.

Ok! O protagonista morreu! Agora está tudo perdido, não tem mais história, não? Não! Isso tudo está aí para surpreende-lo. Prossiga, deixe o filme continuar e mantenha-se atento. Por isso, não seria amor considerar o seu desejo algo a ser massacrado e ignorado. Deixe que o desejo o guie no desvendamento da trama. Por isso, não seria amor considerar o revés de um desejo não correspondido algo trágico. Deixe que o revés o guie, também, e lhe mostre aquilo que você ainda não percebeu sobre a situação.

Se o amor falasse alguma coisa no filme, creio que seria algo do tipo: continue, deixe-se envolver e deixe-se surpreender. Aceite a realidade do momento, mas não pare!Continue! Não se prenda às suas suposições e pretensões. Não se entrincheire atrás de qualquer ferida que lhe tenha sido causada. Aceite. Aprenda e deixe-a ir.

Parece fácil, quando se fala, não? Mas, por mim, sei o quanto minha natureza se apega a ressentimentos, a mágoas, a erros do passado, tanto meus quanto de outros. A gente se agarra a essas coisas porque tem a ilusão de que elas nos protegerão e evitarão que passemos pelo mesmo sofrimento, no futuro. Porém, estou chegando à conclusão de que isso somente nos prende no momento do trauma e impede que nossas vidas prossigam. Por livre e espontânea vontade, então, acabamos por prolongar nossas dores e a adiar nosso alívio. Ficamos dependentes das circunstâncias...

Nessas horas, talvez, um pouco de amor possa ajudar. Com amor, podemos compreender que a vida não nos traz nada que não nos seja útil. Com amor, podemos saber que os golpes que ela nos dá não têm a função de nos confundir e nos humilhar e sim de nos despertar para realidades maiores e nos tornarmos aptos para elas. Com amor, talvez fique mais fácil compreender que certas dificuldades e contratempos têm seus objetivos e que, quanto mais cedo os compreendermos, mais cedo sairemos desses nós.

Viu? Não importa o que aconteça, o amor é aquilo que deixa as coisas fluindo. Se as coisas não saem do jeito que você planejou, aprenda o que puder e prossiga. Se você não conseguiu, se você perdeu, se você sofreu, assimile o que puder e prossiga. Há muito mais de bom adiante. O amor sabe disso. É por isso que eu proponho a idéia de que a independência é uma das propriedades fundamentais dele. Chego até a achar que ele possui a força mais independente que existe, pois não precisa de nenhuma pré-condição especial para se manifestar e consegue nos sustentar o ânimo e a disposição mesmo nos momentos mais difíceis e confusos.

Texto revisado por Cris

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