O IMPERADOR RANCOROSO
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Autor Jorge Menezes
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 11/18/2008 11:48:39 PM
Era uma vez um reino e seu rei... Assim começo, como começam todas as estórias com encantos e até mesmos estórias nada encantadoras como esta que ora conto...
Era uma vez um imperador que, junto aos seus parecidos, resolveu fundar um castelo, num povoado rico em fantasias e com muitos viajantes no caminho do fantástico. A lógica não era o primor. Mesmo sem ter aplauso, ser amigo do rei já era boa condição. Era simples ter um castelo pela facilidade e necessidade das pessoas que moravam ou passavam naquele reino. As ações se faziam pelo encontro das pessoas na praça do castelo onde, ao final de semana, viriam os artistas e arteiros do reino expor suas idéias, poesias, estórias e canções.
Eram vários os palcos onde o povo colocava suas versões, mas, para muitos, os fundos do castelo, onde poucos conseguiam ali chegar e juntos cantar ações, era sempre a única imposição, mentindo chances, sem que se alterasse o quadro dos escolhidos de ocasião. Para poucos, por razões que a nossa vã filosofia desconhece, para os mesmos poucos eleitos pelo sistema, sempre era reservado o palco, local por eles desejado e concedido.
Acontece que imperadores não sabem que, ao reencarnarem com a oportunidade de reinar, respirar e saber ver é condição de alcance. Oportunidade de função é, na verdade, chance para que o macio da jornada permita extirpar os rompantes e durezas da alma, permitindo oportunidades iguais a todos que no reino necessitam se mostrar, com exercício da humildade verdadeira e libertação de seu espírito do sentimento de rancor. É que, em verdade, apenas para sábios, as críticas se refletem em Luz.
Por que lhes trago esta estória? Porque este livro também já li! Um dia desses, de muito tempo atrás, surgiu um fato, desses que por certo muitos já se passaram, mas deste eu falo, porque este eu mesmo vi. O homem, senhor do império, mostrou e mostra aquilo que não se espera do reino do imperador. É que existem reinos e reinos, e deste não se espera tais atitudes, por ser um reino que tem na arte seu esplendor. Mas é fato, e fato esse que me trouxe o assunto, porque, no meu pensar, expõe lado tão feio do imperador!
Muitos se mostram, temperamentos, maneiras de buscar o que pensam ser direito de todos, que no reino se mostram em cor.
Certo dia, um homem recém chegado sentiu sua alma iluminada pela beleza do reino, pelo que viu do dito dos amigos do imperador. Como novato, cantou na praça, foi aplaudido e acho que, num reino belo, ali teria a oportunidade de outras vezes estar.
Porém, logo percebeu que o furo era mais embaixo, e que oportunidade era traçada a poucos privilegiados, amigos do imperador. Esquecendo este do crescimento da variação, Ele, o imperador, mesmo podendo dar bolo a seu povo, nada mais lhe dava que pão, pois, como dizia: “com isso que se contentem”. E também dizia: “fazer-te ao pobre só pouco de ocasião, regar ao povo espaço dele que seja então!
Mas eis que seguia o reino e nada incomodaria, não fosse invadida a concha pelo ousado grão, deste que eu sei agora, por certo outros terão. A pérola só acontece se surge imposição. O reino segue normal. Nem a oportunidade... O tempo dissolve as regalias dos poucos que os governos resolvem compor. Não fosse o homem se revoltar, pedir espaço e coerência ao imperador, para que eu trouxesse mais esta estória, ninguém haveria de mostrar sua desaprovação à autoridade do imperador.
Como ele desafiou o imperador com palavras não doces, mostrou a ele o que não deveria ser parte do imperador de um império que se propõe a unir o povo na praça para trocar belezas e cantar louvor.
Por que não lê a cartilha do seu próprio reino, tão pobre espírito de imperador? Mostra tirano sério, não lê a nova sorte de seu próprio império, esquece que a força oriunda do rancor e mesmo da irritação, é até fraqueza que leva a manter-se escondido da própria dor.. Só após a renúncia a qualquer rancor, é que se pode mostrar coerência ao pregar ter seu oficio algum valor. Perdoar é graça de alma que, generosa por certo o é, rancor lamento próprio de gente dura e até cruel. Mas vejam, senhores, senhoras e senhoritas, é isso que a vida nos apresenta, dando reino a quem nem a sorte tenta de melhor ver seu reino estar.
Agradeço o espaço de quem até aqui nesta prosa chegou. Estórias de encantos e desencantos que a vida traz, pensando na grandeza de estarmos no mundo para aprender. No caso nada com o rancor do imperador.
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