Ingratidão!
Atualizado dia 3/23/2013 7:07:30 PM em Psicologiapor Paulo Salvio Antolini
Há duas situações que iremos considerar. A primeira, quando a ingratidão realmente ocorre. Infindáveis são os relatos de que algumas pessoas "viram as costas" ao seu benfeitor depois de ter recebido dele carinho, afeto, amor, facilitações, ou mesmo benefícios materiais, e seguem suas vidas naturalmente. Acham que o outro não fez mais do que sua obrigação e simplesmente ignoram os benefícios recebidos, seguindo em busca de novos "fornecedores" de favores.
Pais que se desdobram para oferecer conforto a seus filhos que, recebendo tanta dedicação e sacrifício, não identificam tal esforço como algo além do que os pais poderiam ter lhe proporcionado. Exemplo: o filho entra em uma faculdade em cidade vizinha e os pais, para favorecê-lo em relação aos horários de ida e volta, disponibilizam-lhe um automóvel, a fim de lhe proporcionar uma maior flexibilidade de movimentação, inclusive, pensando no fato de que, por chegar mais cedo em casa, ficará mais descansado. O filho, no entanto, passa a utilizar o carro em passeios, sem questionar se os pais têm condições de bancá-los. O conflito está estabelecido. Para o filho, a manutenção do carro e das despesas decorrentes dele não passa de obrigação dos pais.
Há também aqueles que não sabem reconhecer a atenção e a deferência recebidas. Há pouco tempo, participei de um fórum na área da saúde e presenciei o relato da coordenadora de um dos órgãos presentes, que demonstrou grande decepção pelas críticas recebidas (ao órgão que ela ali representava), em um outro evento, de uma pessoa que tinha se beneficiado deste mesmo órgão. Ela disse não estar presente naquele evento, e quem poderia tê-la defendido, já que havia sido muito bem atendida todas as vezes que necessitou dos serviços do órgão que ela representava, não o fez e até concordou com as críticas feitas. Era explícita a expressão de decepção e irritação em relação ao que havia acontecido. Ela demonstrava claramente a "dor" interna pelo acontecido. Perceber-se não compreendida (até intencionalmente) criou na pessoa uma grande insatisfação e com certeza, a pessoa que assim agiu passou a ser vista com outros olhos, muito mais críticos.
A segunda situação a considerar é quando a pessoa acha que o outro foi ingrato, apenas porque ele não agiu de acordo com as suas expectativas. Também muito comum, mas sem procedência. A pessoa quer um reconhecimento ou uma recompensa que não se justifica, não procede. Exemplo acontecido há muito pouco tempo: estávamos em uma fila de caixa, a máquina registradora pareceu estar travada e um senhor que estava em terceiro lugar da fila, percebeu que a tomada da energia elétrica estava desconectada da máquina. Foi até a atendente e avisou. Sanado o problema, ele quis que a caixa fizesse o troco dele na frente dos outros dois. Ela pediu que ele aguardasse a sua vez de ser atendido, pois todos estavam esperando e ele retrucou: "Se eu não tivesse visto o problema, você não o teria resolvido. Se soubesse que você é uma mal agradecida, não lhe teria alertado".
Quando as pessoas se propõem a fazer algo apenas pela possibilidade se receberem retribuições, a ingratidão, invariavelmente, se fará presente. Inacreditável que se faça uma gentileza não porque se é gentil, mas para ouvir um "muito obrigado". É o mesmo que dar um prato de comida, não por amenizar a fome do seu semelhante, mas para mostrar que se é caridoso. Quando a ingratidão existe, ela deve ser olhada e serve para reconhecermos o referencial de valores da pessoa que a praticou. Quando não existe, senti-la significa que nosso "ego" precisa "diminuir um pouquinho".
Texto revisado
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