A última impressão é a que fica
Atualizado dia 8/22/2006 3:34:11 PM em Autoconhecimentopor Victor Sergio de Paula
Popularmente diz-se que a "primeira impressão é a que fica", ou seja, levamos pela vida afora, dentro do nosso universo interior, o impacto agradável ou desagradável das pessoas e dos acontecimentos que têm marcado nossas vidas, dando a impressão de que vivemos apenas do presente. Entretanto, temos observado muitas e muitas vezes que a extraordinária máquina da evolução chamada cérebro, do qual se utiliza a nossa mente, um dos corpos da consciência, através dos delicados mecanismos da memória, costuma registrar de forma contundente, intensa, quase definitiva, os "últimos momentos" da maior parte dos eventos de nossas vidas transitórias. Principalmente os chamados momentos de separação, de desenlace, de término, de fim que chegam diversas vezes em nossas vidas, trazendo grandes doses de desconforto e mesmo de desespero. Os instantes de rupturas inesperadas que vemos com os olhos da tragédia, esquecendo-nos de que estamos num corpo físico transitório, numa vida material passageira que está subordinada à passagem inexorável do tempo.
Preparamo-nos sempre para os encontros, as festas e reuniões, o que é normal e saudável, porém esquecemo-nos de incorporar à consciência aquilo que os budistas chamam de forma tão didática de IMPERMANÊNCIA. A própria palavra define-se, ou seja, tudo é mutável, móvel, modificável, sujeito às constantes transformações do universo no qual vivemos. A impermanência budista é de importância fundamental em nossas vidas para que alcancemos o desapego, o respeito às outras individualidades, mesmo quando situações irreconciliáveis - ao menos no presente - nos conduzam à separação, seja ela de qualquer tipo. Quando mergulhamos na impermanência, na real fugacidade do mundo material em que vivemos, vamos tornando até os "últimos momentos" de relacionamentos, situações que pareciam serem destinadas a nos marcarem negativamente até o "fim" desta vida, em oportunidades de crescimento e evolução. Olhamos as tragédias e os conflitos que levam a desenlaces - até mesmo a morte - e à distância, como uma ponte para retificarmos nossas posturas perante a vida, perante o outro, adotando uma atitude de compreensão e amor mesmo quando seja impossível continuarmos com algo, ou alguém, junto de nós.
Não é à toa que os budistas tibetanos consideram de vital importância os momentos finais da vida de uma pessoa, pois segundo essa tradição espiritual, e ainda mais, em acordo com as recentes pesquisas da Terapia de Vidas Passadas, nos instantes finais da vida - últimos momentos - é que o espírito imortal decide e avalia se a sua encarnação foi proveitosa ou um fracasso, levando tais informações para a sua próxima existência. Quando utilizamos o critério da impermanência, abandonando definitivamente os julgamentos baseados no famoso "bem e mal", aceitaremos o fato que mesmo o que provocou conflitos, tensões, problemas, levando às separações aparentemente desagradáveis tem uma razão maior de ser segundo as escolhas de cada índivíduo.
Baseado no que expusemos é fácil entendermos que "a última impressão é a que fica", e para que não carreguemos os fardos inúteis, pesados, das mágoas, ressentimentos, ódios, frustações e angústias, olhemos os instantes finais de quaisquer circunstâncias desta vida transitória com os olhos da alma, como mais uma etapa cumprida, sem sentimentos negativos, para que possamos continuar livres, libertando aqueles que deixaram de fazer - aparentemente - parte de nossas vidas. O caminho é infinito e não devemos, jamais, parar!
Texto revisado por Cris
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