A arte de doar conhecimento
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Autor Alex Possato
Assunto EspiritualidadeAtualizado em 20/02/2013 10:05:14
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Fui criado em ambiente cristão, onde a máxima "dar e receber" era pregada e, de certa forma, praticada. Lembro-me de ver crianças do bairro de periferia que se situava ao sul da minha casa, em Suzano, usando as roupas que um dia, foram minhas e do meu irmão. Sujo de barro, marcas nos joelhos, lá ia o menino com nariz escorrendo dentro do macacão de fórmula 1, vermelho, que eu gostava tanto... Não me importei... Aprendi a dar as coisas que eu gostava. Entendi que recebia outras coisas.
Desta época, uma das cenas mais marcantes que tenho na memória é vovô sentado dia após dia, horas a fio, ensinando-me cálculos, multiplicação e divisão principalmente, já que meus neurônios pareciam serem amigos mais de histórias e contos do que de... contas...
Vovô me ensinou a dar o conhecimento. Ele era muito bom em matemática, apesar de seu quase nulo estudo. Também me contava histórias da guerra, da política, mergulhou-me no mundo dos comunistas, anarquistas, facistas, nazistas e tantos "istas" que povoam as ideologias por aí... Vovó me ensinou a declamar poesias. Os clássicos brasileiros. E incentivou-me a estudar religião. Eu via meu pai esporadicamente, pois ele não morava comigo. Admirava seu conhecimento enciclopédico. E queria ser como ele. Assim, tive uma infância onde o saber foi muito valorizado.
Cresci. Aprendi muitas coisas. E entendia a necessidade de me dar ao próximo. Fiz inúmeras experiências. Desde trabalhar em grupos espirituais, até ONGs... Adotei. Fiz doações materiais. Mas vou contar um segredo: a coisa mais difícil para mim era (e ainda é) doar o meu conhecimento. É mais fácil dispor de alguns reais, doar móveis, roupas, etc... mas o que eu sei... ahhhh... isso não sai fácil não!
Desta época, uma das cenas mais marcantes que tenho na memória é vovô sentado dia após dia, horas a fio, ensinando-me cálculos, multiplicação e divisão principalmente, já que meus neurônios pareciam serem amigos mais de histórias e contos do que de... contas...
Vovô me ensinou a dar o conhecimento. Ele era muito bom em matemática, apesar de seu quase nulo estudo. Também me contava histórias da guerra, da política, mergulhou-me no mundo dos comunistas, anarquistas, facistas, nazistas e tantos "istas" que povoam as ideologias por aí... Vovó me ensinou a declamar poesias. Os clássicos brasileiros. E incentivou-me a estudar religião. Eu via meu pai esporadicamente, pois ele não morava comigo. Admirava seu conhecimento enciclopédico. E queria ser como ele. Assim, tive uma infância onde o saber foi muito valorizado.
Cresci. Aprendi muitas coisas. E entendia a necessidade de me dar ao próximo. Fiz inúmeras experiências. Desde trabalhar em grupos espirituais, até ONGs... Adotei. Fiz doações materiais. Mas vou contar um segredo: a coisa mais difícil para mim era (e ainda é) doar o meu conhecimento. É mais fácil dispor de alguns reais, doar móveis, roupas, etc... mas o que eu sei... ahhhh... isso não sai fácil não!
Buda diz que a raiz do sofrimento é o desejo. E o desejo se mantém pelo apego. Pelos inúmeros caminhos que trilhei, fui compreendendo a respeito do meu apego com as coisas materiais. Minha mesquinhez com o dinheiro e meu medo de pobreza, o que é a mesma coisa. Só que demorou muito para cair a ficha: eu estava totalmente apegado às coisas que eu sabia. Quantas habilidades tenho, quantas técnicas, quanto saber que podem agregar na vida de outros, e eu não me disponho a compartilhar. Inventei inúmeras desculpas para isso: tenho que valorizar o que sei. Não devo jogar pérolas aos porcos. O que sei não é todo mundo que entende. As pessoas farão mau uso. Não tenho tempo. Tenho família e filhos pra cuidar e educar... Sim, falei um monte de besteira, só para ficar apegado ao "meu osso"...
Acredito que muitos têm a intenção de dar. E tem um coração grandioso, mesmo! Mas na minha experiência, até o "dar" é uma sabedoria. Entendi que eu não sabia dar porque estava fechado para receber. E o fluxo do dar e receber é a mesma coisa. Estava fechado porque tinha muitas mágoas. Não confiava nos outros, no universo, em Deus. Não confiava no meu pai que me deixara, nem na minha mãe que sumiu durante anos. Não confiava na minha avó que protegia meu irmão mais velho e nem no meu avô que não interferia na rigidez de vovó. Sabe de uma coisa? Eu era bem mimado! Permiti que um monte de "nãos" crescessem dentro de mim e contaminassem o meu sistema interno, encobrindo o meu coração. Cresci sem saber receber, fingia que era orgulho, que eu não precisava... Kkkkk... mas por dentro, tinha um "eu infantil" que dizia: dá, dá, dá mais!!! Prem Baba costuma dizer que só é possível dar aquilo que você tem. E você só pode ter aquilo que tomou posse. Como eu me sentia carente - de dinheiro, de amor, de carinho, de amizade, até de sabedoria, não recebia nada. Se nada recebo, nada posso dar. Se tento forçar, dói. Era isso que acontecia. Eu dava, e esperava imediatamente a resposta do universo. A gratidão. Era uma negociata, não um dar verdadeiro. E isso me fazia infeliz e insatisfeito.
Fui aprendendo que dar é uma arte. Uma arte de deixar fluir. Onde o aprender a receber é fundamental. Dar bem pouquinho, mas algo de valor. E receber bem pouquinho, e apreciar a gratidão florescendo no coração, por menor que ela seja. Esse é o processo. Dar e receber é um fluxo divino. Na realidade, o "eu egóico" não tem nada para dar. Tudo o que tenho neste mundo não me pertence. Até o conhecimento, quando eu morrer, voltará ao grande manancial do inconsciente coletivo.
Vou confessar: sou um artista medíocre. Mas creio que Deus não exige perfeição dos seus filhos. Ele quer que sejamos como somos, e façamos aquilo que já podemos fazer, aqui e agora. Como formiguinhas, cada um na sua função... Mas como somos seres humanos, damos através do nosso trabalho, da nossa dedicação ao próximo. Esse "dar" pode ser cobrado, pode ser profissional, sim! O que importa é a intenção, não o valor. Mas o dar pode ser informal. Ou pode ser uma obra social. E também numa empresa. Ou uma ajuda a alguém que surge necessitando. Tenho percebido que o universo, em sua amorosidade, responde imediatamente ao pedido sincero de se doar, colocando alguém na sua frente para ser servido. E também percebo o quanto a mente recusa o filho de Deus que nos é colocado para servir: esse eu não quero! Mas eu mereço alguém melhor! Quero ganhar mais por isso! E assim vai... Faz parte... A mente é o nosso grande contraponto ao coração. Através desse embate, crescemos, e temos a oportunidade de descobrir o amor jorrando em nosso interior. Se só fluisse amor, não teríamos essa percepção de desenvolvimento, e assim não teríamos a motivação para crescer...
Vou confessar: sou um artista medíocre. Mas creio que Deus não exige perfeição dos seus filhos. Ele quer que sejamos como somos, e façamos aquilo que já podemos fazer, aqui e agora. Como formiguinhas, cada um na sua função... Mas como somos seres humanos, damos através do nosso trabalho, da nossa dedicação ao próximo. Esse "dar" pode ser cobrado, pode ser profissional, sim! O que importa é a intenção, não o valor. Mas o dar pode ser informal. Ou pode ser uma obra social. E também numa empresa. Ou uma ajuda a alguém que surge necessitando. Tenho percebido que o universo, em sua amorosidade, responde imediatamente ao pedido sincero de se doar, colocando alguém na sua frente para ser servido. E também percebo o quanto a mente recusa o filho de Deus que nos é colocado para servir: esse eu não quero! Mas eu mereço alguém melhor! Quero ganhar mais por isso! E assim vai... Faz parte... A mente é o nosso grande contraponto ao coração. Através desse embate, crescemos, e temos a oportunidade de descobrir o amor jorrando em nosso interior. Se só fluisse amor, não teríamos essa percepção de desenvolvimento, e assim não teríamos a motivação para crescer...
Para doar conhecimento, é necessário também tomar posse do que se sabe. É importante entender que aquilo que você sabe é bom, neste momento, e do jeito que é, pode ser útil para alguém. A doação não exige perfeição. Não exige qualidade total. Exige somente disponibilidade.
Como tenho o costume de meditar e me observar muito, fui sacando que meu ego acreditava que o conhecimento "era meu". Aquilo que aprendi, que vivenciei, que é minha experiência, é somente meu...Isso é um grande absurdo. Primeiro, porque não sei nada. Nâo tenho as soluções nem para meus problemas, quanto mais para os problemas dos outros. Uma segunda questão é que, a qualquer momento, todo este conhecimento e experiência se perderá. Pode ser por uma doença, um acidente ou pela morte: mas o saber e a minha personalidade não sobreviverá. E um fator determinando para desapegar do conhecimento, foi ter acessado, em alguns momentos específicos, uma realidade do meu ser que vai bem além do que sei. Uma parte de mim que é infinita, interconectada a tudo, e que tem acesso a todos os conhecimentos que preciso. É, foram experiências místicas. Que me deram a certeza: quanto mais eu dispor do conhecimento, mais ele vem. Assim como toda a abundância que o universo provê e dispõem.
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Terapeuta sistêmico e trainer de cursos de formação em constelação familiar sistêmica E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Espiritualidade clicando aqui. |