Terapia e Violência
Atualizado dia 3/25/2010 11:43:18 AM em Espiritualidadepor Rosemary Rezende
É cansativo, triste, bruto, inadimissível, horrendo e tantos outros adjetivos, mas classificar não basta, devemos tentar entender e curar esse processo tão doentio da sociedade que é matar um ser igual. Pois não resta dúvida: a sociedade está doente. Para tanto, tomo emprestado a reflexão de um terapeuta da Unipaz, o sr Roberto Crema e seu artigo "Terapia e Violência".
No século XX, a humanidade presenciou, horrorizada e dilacerada, a duas guerras mundiais e cerca de três centenas de outras, em menor escala. Há um certo consenso entre os pesquisadores dos cenários atuais, de que o século XXI teve um triste início em 11 de Setembro de 2001, estampando a face sorridente e gélida do terror, com os seus terríveis desdobramentos. Uma escalada imprevisível de violência prossegue em nossa família global, onde terroristas e imperialistas se confrontam, sobretudo
no triste palco do Iraque e do Afeganistão, enquanto o Oriente Médio segue se incendiando no fogo do ódio e da vingança. O que temos aprendido, afinal? Haverá uma terapia para a violência?
Tudo indica que a violência é apenas um sintoma de uma doença maior da humanidade: a ignorância existencial e o esquecimento do Ser. Hipertrofiamos a mente analítica, que gera todo tipo de fronteiras onde transcorrem os conflitos e sofremos de uma anemia consciencial, de uma atrofia da mente sintética e conectiva, da consciência de comunhão.
O ego, como um agente básico do que Pierre Weil denomina de fantasia da separatividade encontra-se na fonte mesma de todo tipo de violência individual, social e ambiental. Uma terapia da violência, portanto, implica no resgate da dimensão transpessoal e de uma inteligência transegóica, já que não podemos resolver um problema com a mesma lógica que o produziu. Transcender o ego não significa negá-lo ou suprimi-lo; trata-se de abri-lo para o Oriente do Amor e do Ser. Como afirma a sabedoria hindu: o ego é o melhor empregado e o pior patrão!
A primeira tarefa é desenvolver um bom ego, enraizado na matéria e na sociedade, curado de suas feridas, pacificado em seus conflitos, apaziguado em seus temores. Não podemos transcender o que não desenvolvemos; só superamos o que já conquistamos. Trata-se de ir além da polaridade pessoal versus transpessoal. Tenho denominado de Quinta Força ao movimento transdisciplinar holístico em terapia, que concilia nossas asas com nossas raízes, já que a abertura para o supra-humano pressupõe um bom enraizamento no infra-humano. Como afirmava Lao-Tsé, o alto descansa no profundo. O humano é esta ponte entre o céu e a terra, o porta-voz de todos os reinos da Totalidade, o sacerdote cósmico que facilita que o próprio Universo se mire, se reconheça, se integre, se rejubile.
O Colégio Internacional dos Terapeutas é o solo fecundo onde a Quinta Força poderá desenvolver-se, com as virtudes conjugadas do rigor e da abertura, convocando os terapeutas sintonizados com a mudança paradigmática e com os ventos inexoráveis da transformação, rumo à consciência de Aliança entre a ciência e a consciência, a razão e o coração, a análise e a síntese, a existência e a essência. Inspira-se na pesquisa que Jean-Yves Leloup realizou acerca da origem da palavra terapeuta, levando-o a desvelar e interpretar o texto de Philon de Alexandria, sobre a tradição hebraica dos Terapeutas. Ao mesmo tempo filósofos, sacerdotes, psicólogos, médicos e educadores, os representantes desta tradição, que floresceu há dois milênios e se encontram na base de nossa civilização judaico-cristã, ofertam-nos um precioso legado, muito inspirador, para o resgate de uma terapia centrada no cuidar da inteireza humana, não dividindo o que a própria Vida uniu: o corpo, a alma, a consciência e o fogo do Absoluto que nos atravessa.
Saúde não é mera ausência de sintomas. Como bem define a Organização Mundial de Saúde, saúde é a presença de um estado de bem-estar psicossomático-social-ambiental-espiritual. Assim é que reconhecemos três categorias de terapeutas: a clínica, a social e a ambiental. O sintoma global da violência apenas poderá ser cuidado e superado através de um mutirão de empenho terapêutico, envolvendo praticamente todos os ofícios, na tarefa de cuidar do fenômeno humano, fazendo aliança com a sua saúde intrínseca, a partir da qual uma dinâmica curativa e evolutiva pode ser dinamizada.
Além da terapia dos indivíduos, necessitamos de uma terapia de cunho social - organizacional, institucional, tradicional (das religiões) - e também ambiental, que possa reparar a devastação dos ecossistemas. Não é difícil constatar que a humanidade e o planeta inteiro estão enfermos.
Se não podemos mais evitar a demolição de um sistema insustentável, podemos nos preparar para a tarefa fundamental da reconstrução do projeto humano, ainda inacabado. Necessitamos de uma pedagogia e de uma terapia de reconstrução, abertas e sensíveis ao universo psíquico e noético, centradas no desenvolvimento dos talentos vocacionais que todo ser humano encarna. Uma abordagem iniciática que facilite um processo de iniciação à saúde e plenitude, através de trilhas interiores,
conciliadas com as exteriores, que do ego nos conduzam ao Ser. Então, como dizia o Profeta, nossas armas se transformarão em arados, nossos conflitos em danças de encontro, nossas agonias em cantos de renascimento, nossos dilaceramentos em louvor à Grande Vida, ao Ser que nos faz ser...
Fonte: link
Com esse artigo gostaria de convocar uma discussão sobre esse assunto, pois devemos, todos nós, procurar uma cura, individual e coletiva para esse problema. Abro a discussão aqui ou no blog deste mesmo site.
Texto revisado
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Conteúdo desenvolvido por: Rosemary Rezende Tecnica Agrícola, Medica Veterinária, Homeopata, Terapeuta Holística. Atualmente trabalhando com Terapia Nexus, massoterapia Indiana, Numerologia Indiana, Florais e Homeopatia E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Espiritualidade clicando aqui. |